Presentes…
Eu teria muito o que “reclamar” de 2008, várias facetas da minha vida foram dignamente bombardeadas por ele e todos os mil demônios azuis do mar da sibéria. Mas, entre mortos e feridos, salvaram-se todos, e aparentemente, de novembro pra cá, as coisas têm tomado um rumo um tanto quanto mais suave…
Ganhei uma xícara, que o andré carinhosamente diz que serviria para um gato tomar leite ou um passarinho tomar banho. Vintage, da kellog´s, do fabiano.
Também, como podemos todos perceber, tenho acentos. Devo isso ao fato de ter um pc novo, que veio muito, muito melhor do que a encomenda.
Me presenteei com 5 canetinhas especiais pra ilustração de fabricação brasileira (Magic color, e funcionam muito bem), além de equipamentos para camping que há muito eram necessários (leia-se, barraca).
Estou quase completamente curada da detox de paroxetina (e só nessas horas a gente encontra notícias de que lá fora rola muito processo contra o fabricante do veneno…), os brain zaps e náusea sumiram completamente, sem eu nem ter que tomar os 5mg finais.
A vida é bela.
Meu querido diario…
Dezembro 17, 2008
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Equilíbrio
Dezembro 14, 2008
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Tags: cotidiano, dias, pensamentos, vida
Desde tempos remotos, diz-se haver um certo equilíbrio entre os “acontecimentos” naturais e o nosso mundo interno. Talvez por vivermos em um país em que não exista uma definição nítida entre as estações do ano, não possuimos essa “ferramenta” para nos ajudar nesse equilíbrio interno.
No hemisfério norte, é comum a chamada “spring cleaning”, aquela coisa de “bota fora” doméstico feito na primavera, para dar lugar ao novo. O inverno já se foi, tudo renasce, enterramos o que morreu no inverno e a terra está fértil novamente para a chegada das sementes e o calor que aumenta gradativamente até o verão. Mesmo com o aquecimento global, em outros lugares do globo ainda existem resquícios da ação da natureza, por vezes até sutil, em nós. O inverno europeu é tido como um grande agente “depressor”, devido à menor incidência de luz solar. Já foi provado cientificamente que a falta de luz afeta nosso cérebro de forma negativa. Além do mais, o inverno por si só convida à reflexão, ao diálogo interior, a parar e fazer uma retrospectiva do ano/vida, se preparar para o novo.
De alguma forma, dezembro faz isso conosco. Todo mundo corre pra comprar comida “tradicional” mais gostosa, tentar ser bonzinho, pensar se o ano foi uma porcaria e prometer que vai entrar no ano seguinte “fora do vermelho”. Mas com tanto gasto desenfreado com ceia, presentes e afins, isso quase nunca acontece… Simpatias e superstições para o ano-novo são inúmeras, tudo para que o ano que chega seja melhor do que o que se vai.. Parece que fazemos tudo às avessas mesmo.
quem sou eu?
Dezembro 4, 2008
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Tags: cotidiano, depressão, pensamentos, vida
Está aí uma pergunta um tanto quanto difícil ultimamente. Penso que todos mudamos ao longo da vida, mas talvez existam partes nossas – que sejam realmente somente nossas, uma so called essência, que n muda durante a nossa breve existência por aqui. N muda com os percalços da vida, nem com as experiências amorosas (onde por vezes nos misturamos tanto à pessoa que, quando chega ao fim, temos que redescobrir o que é nosso e o que foi da pessoa).
Parte dessa minha essência, que comecei a re-descobrir, a tirar o pó acumulado de anos sobrevivendo e n vivendo, é o meu gosto por animais, especialmente gatos. Afinal, mesmo depois de ter sido mordida por uma jaguatirica quando era bebê (quantas pessoas no mundo dizem isso?) na cidade, na casa da minha vó, ainda n perdi o gosto nem a admiração por essas criaturinhas.
Outra coisa que descobri, que vem a calhar com jaguatirica, é como pegar estrada me faz bem. Um bem enorme, gigantesco. N importa se é 20mn ou 6h. Estando do lado de uma janela, é o que me basta. Duas semanas atrás desci de Paranapiacaba a Cubatão em dois dias e meio. Descobri que tenho mais força física e controle mental do que imaginei – ainda bem, temia voltar a ter crises de pânico no meio de mais de 30 pessoas desconhecidas. Perdi de vez o meu medo irracional de escuro, agora n temo mais nada. Esses dias e essa “mini jornada” me fizeram muito bem, sentir a superação que você mesmo se propôs é indescritível, ainda que eu n consiga sentir 100% tudo que e bom, infelizmente. Mas, a jornada principal ainda n acabou, e a esperança é a última que morre, como dizem. (=
Essa coisa de saber quem sou, me lembra o meu segundo dia no hospital. Era uma quinta-feira. Pela manhã, participávamos de atividades em grupo. Naquele dia, colamos metade de uma cartolina nas costas de cada um, até dos médicos e terapeutas. Deveríamos escrever o que pensávamos de cada um com canetões coloridos, enquanto músicas agradáveis tocavam. Dançávamos, cantávamos e íamos girando e escrevendo nas costas de todos.
Por incrível que pareça, as pessoas começaram a escrever nas minhas costas. Eu, recém chegada. A princípio, parecia impossível que eu conseguisse escrever algo sobre qualquer um, mas acabei conseguindo. Linguagem corporal fala muito. Claro que minhas opiniões sobre as pessoas foram lapidadas durante a minha estadia, e n costumo me ater a primeiras impressões, contrariando minha tendência `preto-e-branco-only` da borderline.
Tenho esse “cartaz” guardado até hoje. Lembro que naquele dia meu namorado me buscou e mostrei pra ele, toda orgulhosa, era como se tivesse voltando da creche =P. As pessoas tinham escrito coisas como “Guerreira” e “sábia”. É interessante ver que aquelas pessoas me enxergavam assim. Me senti.. n é orgulhosa a palavra. Flattered. N me lembro em português e n tem nenhum dicionário aqui agora =P. Também diziam que eu me recuperaria. E sei que vou. N vou negar que muitas vezes senti (e ainda sinto, mas bem raramente) que n ficaria “bem” novamente, pois ainda nem sei exatamente o que posso considerar bem, já que ainda estou me redescobrindo, e por consequência, meus gostos e padrões.
2007 foi um ano que literalmente gritei adeus na virada do ano. 2008 n foi melhor no quesito saúde e $$$. Mas no quesito sabedoria, auto-conhecimento e espiritualidade, “matou a pau”, como dizem.
eat, pray, love
Cansada de ficar depressiva em casa, e em desespero ontem de madrugada (quase), almocei e passei a tarde com um amigo. Na livraria saraiva, um livro entre os infinitos pocket books em ingles me chamou a atencao: `eat, pray, love` por elizabeth gilbert.
No site dela tem um faq sobre o livro. Achei isso interessante:
I’ve come to believe that there exists in the universe something I call “The Physics of The Quest” – a force of nature governed by laws as real as the laws gravity or momentum. And the rule of Quest Physics maybe goes like this: “If you are brave enough to leave behind everything familiar and comforting (which can be anything from your house to your bitter old resentments) and set out on a truth-seeking journey (either externally or internally), and if you are truly willing to regard everything that happens to you on that journey as a clue, and if you accept everyone you meet along the way as a teacher, and if you are prepared – most of all – to face (and forgive) some very difficult realities about yourself….then truth will not be withheld from you.”
What is it about the American obsession with productivity and responsibility that makes it so difficult for us to allow ourselves a little time to solve the puzzle of our own lives, before it’s too late? That said, yes – I did worry a great deal about selfishness. But after three years of despair and depression, I had come to believe that living my life in a state of constant misery was actually a pretty selfish act. Who would be served by a lifetime of my sorrow? How would that enrich the world? Going off for a year and creating a journey to pull myself back together, to rediscover joy, to face down my failings and rebuild my existence, was not only an important thing for my life, but ultimately for the lives of everyone around me. And it’s not just my family and friends who are better off now that I am happy; it’s everyone I encounter. Because the reality is that we human beings are constantly leaking our dispositions upon each other. When I was in such a dark state, everyone I passed on the street had to walk through the shadow of my darkness, whether they knew me or not.
Nao acho que foi a toa que comprei o livro (e o preco era minimo, tambem). Acho que eh mais uma ‘ajuda’ na jornada, que esta entrando numa nova fase ou ‘estrada’.
A dança do tempo…
Essa semana consegui meus remédios de novo. A má notícia é que descobri que o que eu tomo tem um pequeno problema: se você parar de repente, as chances são grandes de que não volte a ter o mesmo efeito de antigamente. Como ainda estou esperando atingir um pico plasmático, veremos…
Sexta aproveitei que estava com meus documentos todos e um comprovante de residência e fiz minha carteirinha na biblioteca do Centro Cultural São Paulo (que eu chamo de centro cultural vergueiro). Venho procurado em sebos um certo livro, e, finalmente, o encontrei nessa biblioteca. “Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal”, de John Berendt. Descobri que tem um filme, também.
Esse livro é o único livro que lembro do meu pai estar lendo nas últimas vezes que o vi. Pretendo também ir à biblioteca onde ele tinha cadastro para ver se consigo uma lista dos últimos livros que ele leu.
Ainda n me sinto 100%, mas me impondo seguir os horários dos remédios à risca + uma rotina de atividades, espero melhorar ao menos um pouco.
E de novo e de novo e de novo
Ta, entao por motivos de forca maior eu continuo sem remedios.
Nem todos. Mas o problema e’ que sozinhos eles nao funcionam. E eu cheguei muito perto da `desintoxicacao` de um deles, o que so piorou a situacao. Ja aprendi quais sao os sintomas fisicos da `abstinencia` e eu realmente nao os suporto. Solucao? Ultimas duas subdoses do remedio. E tentar desesperadamente achar um meio de ver um medico, ja que o SUS so aceita ver minha cara em marco de 2009.
Se eu tivesse um carro meu e soubesse dirigir, eu prestaria uma visita ao medico de plantao no PS central (sim, aquele mesmo onde as meninas do sequestro de uma semana foram) agora. Acho que conseguiria explicar calmamente tudo o que aconteceu e como me sinto agora. Por fora eu sou um poco de calma. Por dentro a minha cabeca esta numa formula 1 constante. Apesar de estar irritada meio facilmente.
Insonia, mais uma noite.
E nao adianta livro, tv, musica, video game. N tenho concentracao pra isso. Onde fica o botao de desliga da minha cabeca?
Murphy continua no meu pé
E resolveu agir na área financeira, dessa vez.
Primeiro foi o resgate da previdência social, agora é uma remessa. Mereço. Só hoje fui em três bancos diferentes. Da primeira vez Murphy tinha mandado meu dinheiro para… Matão, interior de SP. SE eu tivesse grana, nem reclamaria do passeio. Mas é bem ao contrário.
Além de toda enrolação, eu ainda consigo esquecer as minhas chaves num dos três bancos (o mais longe). E estava calor. Pensando bem, não me admiro mais de estar cansada às 8 da noite. E com dor de cabeça.
Mas até que sinto falta um pouco desse cansaço. A recente recaída n me permitiu me mexer tanto como gostaria, fisicamente, ativamente. Resolvi que vou instituir minha própria rotina similar às do HD. Exercício físico fora de casa 3x por semana (e de graça), almoço na hora certa, atividades diversas à tarde (além de trabalhar). É o que posso fazer por enquanto, já que pelo SUS eu só vou ver a cara de um médico em março do ano que vem.
É, preciso de outro plano de saúde, e logo =P
E regularizar meu cpf.
E achar o contrato da claro pra desbloquear meu celular, pq a Oi n desbloqueia o meu modelo.
Comprar post-its, talvez?
Ostara
Setembro 23, 2008
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E chegou a primavera.
Como todos os outros dias de celebrações da roda do ano, foi um dia ‘cheio’, mesmo n saindo de casa. Desenhei bastante, comi bem, me senti bem.
Comemorei um pouco atrasada, mas o fiz. E fiquei muito triste de ainda n conseguir comemorar como outras pessoas, por exemplo:
Esse é um altar de Mabon, já que a pessoa está no hemisfério norte. Ainda assim, transmite tudo que eu gostaria de conseguir (e poder) fazer no meu altar. Frutas, decoração, imagens, tecido.
Mais uma coisa para me motivar a continuar nessa jornada. (= um dia ainda vou estar em algum lugar que celebre com uma grande festa como lá nos estados unidos ou europa. fico babando quando vejo as fotos.
Agora às minhas fotos..
“O tesão alimenta a alma”
Hoje é dia de estréia de um seriado brasileiro da HBO: Alice. Estou muy curiosa pra ver como é. Os comerciais já me deixaram bem instigada e, por algum motivo, me pegaram pelo âmago.
Procurando pelo horário da estréia na internet, achei essa entrevista com Karim Aïnouz, diretor da série. Vale a pena ler. Se o seriado cumprir com tudo que Aïnouz promete, meus domingos serão mais felizes.
Quotando: “E aqui eu acho que é algo como “o tesão alimenta a alma”, “o tesão vence o medo”. O tesão no sentido mais bacana do termo. No sentido de que a falta de medo é sinônimo de vida.”
E isso me lembra uma música… “scared of people scared to be alive”. Tava precisando de uma injeção de ânimo pra continuar a jornada, que não está muy suave.












