o mesmo velho problema de sempre
Vira e mexe, a questão do direito ao aborto (ou no mínimo a descriminalização) volta à tona na justiça brasileira. É bem pouco, é verdade, mas tem acontecido mais esse ano.
Estava lendo essa matéria. Concordo que é legal (nos dois sentidos, de bom e de válido judicialmente) ouvir várias fontes de referência antes de tomar uma decisão. Acredito que o estado deveria ser laico, e até posso dar um desconto e ‘considerar’ que ouvir representantes de diversas religiões (mas não todas) do país possa representar os seus seguidores (o que não é bem verdade, visto que as Católicas pelo direito de decidir vão contra o que os homens católicos no poder diriam).
Mas daí ouvir o CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) dizer que “O aborto de feto com anencefalia é uma pena de morte decretada contra um ser humano frágil e indefeso”. Na nota, a CNBB argumenta que todos têm direito à vida é outra história. Véri uél, como diria novela da globo antigamente. Primeiro de tudo que Bispo pra mim só opina quando parir. Ponto. Segundo, se é assim, revoguem a lei que permite o aborto resultante de estupro. Todos têm direito à vida, não é mesmo? Porque uns podem e outro não? Não são seres humanos frágeis e indefesos nos dois casos? (ok, caso de estupro nem ser humano ainda é, só um amontoado de células que podem, veja bem, podem criar um ser humano no prazo devido).
E a mãe que vai sofrer? E a mãe que por políticas mal implantadas pelo governo já tem 4 filhos e não consegue ter mais um? Ela não é um ser humano frágil e indefeso? É, acho que idade conta.
Eles se preocupam tanto com crianças que nem nasceram ainda, mas nem dão conta das milhões que vivem em situações bem piores…
Agosto 24, 2008




