quem sou eu?

Posted On Dezembro 4, 2008

Arquivado em Pessoal, Tratamento
Tags: , , ,

Comments Dropped leave a response

Está aí uma pergunta um tanto quanto difícil ultimamente. Penso que todos mudamos ao longo da vida, mas talvez existam partes nossas – que sejam realmente somente nossas, uma so called essência, que n muda durante a nossa breve existência por aqui. N muda com os percalços da vida, nem com as experiências amorosas (onde por vezes nos misturamos tanto à pessoa que, quando chega ao fim, temos que redescobrir o que é nosso e o que foi da pessoa).

Parte dessa minha essência, que comecei a re-descobrir, a tirar o pó acumulado de anos sobrevivendo e n vivendo, é o meu gosto por animais, especialmente gatos. Afinal, mesmo depois de ter sido mordida por uma jaguatirica quando era bebê (quantas pessoas no mundo dizem isso?) na cidade, na casa da minha vó, ainda n perdi o gosto nem a admiração por essas criaturinhas.

Outra coisa que descobri, que vem a calhar com jaguatirica, é como pegar estrada me faz bem. Um bem enorme, gigantesco. N importa se é 20mn ou 6h. Estando do lado de uma janela, é o que me basta. Duas semanas atrás desci de Paranapiacaba a Cubatão em dois dias e meio. Descobri que tenho mais força física e controle mental do que imaginei – ainda bem, temia voltar a ter crises de pânico no meio de mais de 30 pessoas desconhecidas. Perdi de vez o meu medo irracional de escuro, agora n temo mais nada. Esses dias e essa “mini jornada” me fizeram muito bem, sentir a superação que você mesmo se propôs é indescritível, ainda que eu n consiga sentir 100% tudo que e bom, infelizmente. Mas, a jornada principal ainda n acabou, e a esperança é a última que morre, como dizem. (=

Essa coisa de saber quem sou, me lembra o meu segundo dia no hospital. Era uma quinta-feira. Pela manhã, participávamos de atividades em grupo. Naquele dia, colamos metade de uma cartolina nas costas de cada um, até dos médicos e terapeutas. Deveríamos escrever o que pensávamos de cada um com canetões coloridos, enquanto músicas agradáveis tocavam. Dançávamos, cantávamos e íamos girando e escrevendo nas costas de todos.
Por incrível que pareça, as pessoas começaram a escrever nas minhas costas. Eu, recém chegada. A princípio, parecia impossível que eu conseguisse escrever algo sobre qualquer um, mas acabei conseguindo. Linguagem corporal fala muito. Claro que minhas opiniões sobre as pessoas foram lapidadas durante a minha estadia, e n costumo me ater a primeiras impressões, contrariando minha tendência `preto-e-branco-only` da borderline.
Tenho esse “cartaz” guardado até hoje. Lembro que naquele dia meu namorado me buscou e mostrei pra ele, toda orgulhosa, era como se tivesse voltando da creche =P. As pessoas tinham escrito coisas como “Guerreira” e “sábia”. É interessante ver que aquelas pessoas me enxergavam assim. Me senti.. n é orgulhosa a palavra. Flattered. N me lembro em português e n tem nenhum dicionário aqui agora =P. Também diziam que eu me recuperaria. E sei que vou. N vou negar que muitas vezes senti (e ainda sinto, mas bem raramente) que n ficaria “bem” novamente, pois ainda nem sei exatamente o que posso considerar bem, já que ainda estou me redescobrindo, e por consequência, meus gostos e padrões.

2007 foi um ano que literalmente gritei adeus na virada do ano. 2008 n foi melhor no quesito saúde e $$$. Mas no quesito sabedoria, auto-conhecimento e espiritualidade, “matou a pau”, como dizem.

Vivendo no preto-e-branco

Posted On Setembro 8, 2008

Arquivado em Pessoal, Tratamento
Tags: , , ,

Comments Dropped one response

As vezes, eu penso que a `categoria` viver nos extremos nao faz parte do meu diagnostico. Mas, se eu olhar bem de pertinho, eu ate consigo ver. Por exemplo essa semana, em que tive dois dias de insonia – num deles fui dormir 3h45 da manha, pra acordar as 6h40 – e depois literalmente hibernei como um urso. Claro, parte da hibernacao foi a tentativa natural de `compensar` os outros dias, mesmo sabendo que nao funciona. Mas outra parte talvez eu tenha de reconhecer que eu preciso ainda de algum estimulo muito forte para levantar e fazer o dia render em horarios convencionais.

Amanha tenho a primeira consulta depois de quase 2 meses e meio. Muita coisa mudou, mas muita coisa acabou voltando nessas ultimas 3 semanas, como o padrao de sono alterado, dor de cabeca, etc.

Alem do padrao do sono, outros extremos sao as minhas `expectativas` em relacao a minha melhora. Ha momentos em que eu sinto que isto tudo nao passa de uma fase, parte do tratamento, da evolucao natural do quadro – e nisso eu tenho muito apoio do meu namorado. No entanto, em outros eu penso que se depois de tudo isso eu continuo tendo crises e me sentindo mal e achando que minha vida nao passa de algo pequeno e mal vivida, comeco a pensar se realmente ha uma melhora significativa nos proximos meses/anos e duvidar disso tudo. Viro uma pessimista chata e reclamona. Justo eu, que pensava mais como poliana. Extremos, de novo.

O problema em comparar como eu agia antigamente e’ que eu justamente ainda nao consigo enxergar claramente que parte de mim nao faz parte do transtorno. Que parte sobra genuinamente minha. Tambem talvez seja parte do processo de tratamento, depois das sessoes de terapia em grupo, onde me mostraram que e’ possivel ter conforto por si mesmo, se dar colo, descobrir o que se gosta, o que se quer e principalmente o que nao quer.

Querer eu acho que quero demais, preciso e’ conseguir fazer as coisas acontecerem. As vezes essa jornada parece que esta bloqueada por pedras gigantes no caminho, mas depois aparece uma imensidao de terra a ser explorada.

Moody saturday

Posted On Agosto 24, 2008

Arquivado em Pessoal
Tags: , ,

Comments Dropped leave a response

De ontem pra hoje foi complicado. Tive umas lembranças ruins devido ao post anterior e junte-se a isso a falta de um dos meus remédios e eu fui dormir deprimida. Acordei do mesmo jeito. I mean, adoro dia frio, gosto de dar aula de sábado para meus alunos particulares e tal. Mas hoje não era bem o dia pra isso.

Não conseguia ver a beleza no dia, não conseguia ouvir música animada, esqueci meu celular na minha cama e só me toquei disso quando estava dentro do ônibus. Nem observar bichos pela janela do ônibus me fez sorrir como sempre, eu só pensava em um carcrash (na verdade, buscrash), algo pra interromper o tempo ali, de alguma forma. Por estar sem celular, fiquei ali, naquele ponto de sempre, esperando pelos alunos por quase 2h. Em partes não vi o tempo passar, em outras, o que eu poderia fazer? Me perdia nas pedrinhas da calçada e tinha que segurar o pouco de sanidade que me restava para não ficar ali, perdida no tempo & espaço, me arrastando até o orelhão e acordando o André pra vir me buscar.

Ainda bem que meus alunos chegaram e me distraíram. A aula correu bem, e a seguinte também. Não voltei pra casa 100% melhor, apesar de ter encontrado uma turma de escoteiros (meninos e meninas, não tem mais separação de escoteiros e bandeirantes) daqui de SA mesmo, uma graça. Com aqueles uniformes fofos, crianças educadas e maravilhadas com as pequenas coisas da vida, como andar de trem velho e ir no Memorial da América Latina. Talvez no primeiro sábado do mês eu passe lá pra ver como é.  Talvez me faça bem. Me sentir útil de novo e tal.

Mas aí vem aquela sensação horrorosa que me faz querer os carcrashes e buscrashes ou ficar rodando sentada numa janela de ônibus sem destino e sem fim. Ou de dormir o dia inteiro. Quando nada me satisfaz, nada me ‘acorda’, nada me chama a atenção. Nem tv, nem pc, nem livro, nem nada. Celular, menos ainda. Esquece que eu não atendo. Odeio me sentir assim. É uma prisão, sufoca, dentro de você mesmo.

Ainda sinto os resquícios disso, e não consigo ir dormir. Esperando que os remédios façam efeito.

A câmera velha que achei ontem usa um tipo de filme especial, que faz as fotos ficarem quadradinhas. Achei uns links bacanas de fotografia, como revelar em casa e tal. Só na semana provavelmente vou sair pra procurar esse filme e procurar coisas interessantes pra testar se a câmera ainda está viva e operante.