It’s been a long road

Posted On Agosto 22, 2008

Arquivado em Pessoal
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Como diria a música do Rod Stewart, “it’s been a long road, getting from there to here”. Poucas pessoas têm alguma idéia do que aconteceu nas últimas 6 semanas. Nem eu mesma posso afirmar que sei de tudo. Ainda estou digerindo, compondo, recompondo, processando. Talvez porque isso seja só parte da minha jornada, que eu acredito acabar só no fim de outubro.

Uma grande parte, que modificou muitas coisas. Que consolidou mudanças em andamento, que fez cair por terra outras tantas coisas que antes pareciam intocáveis, relíquias do tempo e consideradas patrimônio histórico. As verdadeiras relíquias começaram a aparecer sob o pó, brilhando pelos parcos raios de sol que chegavam de mansinho. Elas continuam aparecendo, ainda bem.

Numa dessas escavações arqueológicas, por um acaso, encontrei uma carta do meu pai, já falecido, datada de 1998. Dez anos atrás. Antes de eu completar 11 anos. Antes até de eu ‘virar mocinha’, como dizem. Tanta coisa aconteceu desde aquela carta. Boas e ruins. Cresci, e mudei horrores (mesmo achando que o meu rosto não mudou quase nada). Mas o que mais pesa, mais dói mesmo, é a sensação de ter em mãos um documento histórico, quase como vai, a carta de independência do Brasil em mãos, só sua. E você não ter a mínima idéia de como que o Pedrão realmente era. Com o detalhe que você é filho dele. Reconheço a letra de longe. Consigo relembrar e encaixar as coisas da carta em algum contexto da memória. Lembro do que assistíamos na época, entre outras coisas. Mas é realmente um soco no estômago não lembrar sua voz. Não conseguir imaginar o que ele pensaria sobre diversas coisas, desde política, olímpiadas e até algo trivial como um dia de chuva ou o sabor de um lanche desses novos do mc donald’s.

Consigo assumir que ele teria um ótimo pc, um ipod e todas traquitanas novas de tecnologia e música. Que ao invés de milhares de fitas k7 ele teria milhares ou milhões de mp3s e álbuns completos, bootlegs, dvds e afins dos mais variados gêneros (afinal foi ele quem descobriu Pizzicato Five antes de twiggy twiggy ficar famosa por aqui). Entre outras coisas.

A jornada continua. Ainda estranho estar em casa, ver as pessoas correndo para todos os lados surtando e sendo superficiais e falsas. Se já gostava de bichos antes, agora gosto ainda mais. Talvez até prefira eles e aqueles que também gostam. Estou viciada em cores. Ganhei vários presentes, a maioria com a temática de gatos, e ainda não sei bem aceitá-los. Me sinto querida, e isso ainda é um pouco estranho. Algumas cicatrizes demoram mais pra sumir, acho.