Vivendo no preto-e-branco

Posted On Setembro 8, 2008

Arquivado em Pessoal, Tratamento
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As vezes, eu penso que a `categoria` viver nos extremos nao faz parte do meu diagnostico. Mas, se eu olhar bem de pertinho, eu ate consigo ver. Por exemplo essa semana, em que tive dois dias de insonia – num deles fui dormir 3h45 da manha, pra acordar as 6h40 – e depois literalmente hibernei como um urso. Claro, parte da hibernacao foi a tentativa natural de `compensar` os outros dias, mesmo sabendo que nao funciona. Mas outra parte talvez eu tenha de reconhecer que eu preciso ainda de algum estimulo muito forte para levantar e fazer o dia render em horarios convencionais.

Amanha tenho a primeira consulta depois de quase 2 meses e meio. Muita coisa mudou, mas muita coisa acabou voltando nessas ultimas 3 semanas, como o padrao de sono alterado, dor de cabeca, etc.

Alem do padrao do sono, outros extremos sao as minhas `expectativas` em relacao a minha melhora. Ha momentos em que eu sinto que isto tudo nao passa de uma fase, parte do tratamento, da evolucao natural do quadro – e nisso eu tenho muito apoio do meu namorado. No entanto, em outros eu penso que se depois de tudo isso eu continuo tendo crises e me sentindo mal e achando que minha vida nao passa de algo pequeno e mal vivida, comeco a pensar se realmente ha uma melhora significativa nos proximos meses/anos e duvidar disso tudo. Viro uma pessimista chata e reclamona. Justo eu, que pensava mais como poliana. Extremos, de novo.

O problema em comparar como eu agia antigamente e’ que eu justamente ainda nao consigo enxergar claramente que parte de mim nao faz parte do transtorno. Que parte sobra genuinamente minha. Tambem talvez seja parte do processo de tratamento, depois das sessoes de terapia em grupo, onde me mostraram que e’ possivel ter conforto por si mesmo, se dar colo, descobrir o que se gosta, o que se quer e principalmente o que nao quer.

Querer eu acho que quero demais, preciso e’ conseguir fazer as coisas acontecerem. As vezes essa jornada parece que esta bloqueada por pedras gigantes no caminho, mas depois aparece uma imensidao de terra a ser explorada.