Meu querido diario…

Posted On Dezembro 17, 2008

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ou, post “estou saindo da paroxetina e estou de bom humor, finalmente”

Com uma coisa pequena, mas que eu esperava há muito: encontrei o anel perdido da minha avó (a lituana).

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Feliz por demais!

Até a música que estou ouvindo ajuda, “Head over heels”, dos bons e velhos Tears for Fears.

Equilíbrio

Posted On Dezembro 14, 2008

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Desde tempos remotos, diz-se haver um certo equilíbrio entre os “acontecimentos” naturais e o nosso mundo interno. Talvez por vivermos em um país em que não exista uma definição nítida entre as estações do ano, não possuimos essa “ferramenta” para nos ajudar nesse equilíbrio interno.

No hemisfério norte, é comum a chamada “spring cleaning”, aquela coisa de “bota fora” doméstico feito na primavera, para dar lugar ao novo. O inverno já se foi, tudo renasce, enterramos o que morreu no inverno e a terra está fértil novamente para a chegada das sementes e o calor que aumenta gradativamente até o verão. Mesmo com o aquecimento global, em outros lugares do globo ainda existem resquícios da ação da natureza, por vezes até sutil, em nós. O inverno europeu é tido como um grande agente “depressor”, devido à menor incidência de luz solar. Já foi provado cientificamente que a falta de luz afeta nosso cérebro de forma negativa. Além do mais, o inverno por si só convida à reflexão, ao diálogo interior, a parar e fazer uma retrospectiva do ano/vida, se preparar para o novo.

De alguma forma, dezembro faz isso conosco. Todo mundo corre pra comprar comida “tradicional” mais gostosa, tentar ser bonzinho, pensar se o ano foi uma porcaria e prometer que vai entrar no ano seguinte “fora do vermelho”. Mas com tanto gasto desenfreado com ceia, presentes e afins, isso quase nunca acontece… Simpatias e superstições para o ano-novo são inúmeras, tudo para que o ano que chega seja melhor do que o que se vai.. Parece que fazemos tudo às avessas mesmo.

quem sou eu?

Posted On Dezembro 4, 2008

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Está aí uma pergunta um tanto quanto difícil ultimamente. Penso que todos mudamos ao longo da vida, mas talvez existam partes nossas – que sejam realmente somente nossas, uma so called essência, que n muda durante a nossa breve existência por aqui. N muda com os percalços da vida, nem com as experiências amorosas (onde por vezes nos misturamos tanto à pessoa que, quando chega ao fim, temos que redescobrir o que é nosso e o que foi da pessoa).

Parte dessa minha essência, que comecei a re-descobrir, a tirar o pó acumulado de anos sobrevivendo e n vivendo, é o meu gosto por animais, especialmente gatos. Afinal, mesmo depois de ter sido mordida por uma jaguatirica quando era bebê (quantas pessoas no mundo dizem isso?) na cidade, na casa da minha vó, ainda n perdi o gosto nem a admiração por essas criaturinhas.

Outra coisa que descobri, que vem a calhar com jaguatirica, é como pegar estrada me faz bem. Um bem enorme, gigantesco. N importa se é 20mn ou 6h. Estando do lado de uma janela, é o que me basta. Duas semanas atrás desci de Paranapiacaba a Cubatão em dois dias e meio. Descobri que tenho mais força física e controle mental do que imaginei – ainda bem, temia voltar a ter crises de pânico no meio de mais de 30 pessoas desconhecidas. Perdi de vez o meu medo irracional de escuro, agora n temo mais nada. Esses dias e essa “mini jornada” me fizeram muito bem, sentir a superação que você mesmo se propôs é indescritível, ainda que eu n consiga sentir 100% tudo que e bom, infelizmente. Mas, a jornada principal ainda n acabou, e a esperança é a última que morre, como dizem. (=

Essa coisa de saber quem sou, me lembra o meu segundo dia no hospital. Era uma quinta-feira. Pela manhã, participávamos de atividades em grupo. Naquele dia, colamos metade de uma cartolina nas costas de cada um, até dos médicos e terapeutas. Deveríamos escrever o que pensávamos de cada um com canetões coloridos, enquanto músicas agradáveis tocavam. Dançávamos, cantávamos e íamos girando e escrevendo nas costas de todos.
Por incrível que pareça, as pessoas começaram a escrever nas minhas costas. Eu, recém chegada. A princípio, parecia impossível que eu conseguisse escrever algo sobre qualquer um, mas acabei conseguindo. Linguagem corporal fala muito. Claro que minhas opiniões sobre as pessoas foram lapidadas durante a minha estadia, e n costumo me ater a primeiras impressões, contrariando minha tendência `preto-e-branco-only` da borderline.
Tenho esse “cartaz” guardado até hoje. Lembro que naquele dia meu namorado me buscou e mostrei pra ele, toda orgulhosa, era como se tivesse voltando da creche =P. As pessoas tinham escrito coisas como “Guerreira” e “sábia”. É interessante ver que aquelas pessoas me enxergavam assim. Me senti.. n é orgulhosa a palavra. Flattered. N me lembro em português e n tem nenhum dicionário aqui agora =P. Também diziam que eu me recuperaria. E sei que vou. N vou negar que muitas vezes senti (e ainda sinto, mas bem raramente) que n ficaria “bem” novamente, pois ainda nem sei exatamente o que posso considerar bem, já que ainda estou me redescobrindo, e por consequência, meus gostos e padrões.

2007 foi um ano que literalmente gritei adeus na virada do ano. 2008 n foi melhor no quesito saúde e $$$. Mas no quesito sabedoria, auto-conhecimento e espiritualidade, “matou a pau”, como dizem.

Evento da ONU, digo UNICEF

Posted On Setembro 20, 2008

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Quarta-feira fui à redação da Revista Viração, convidada pelo meu aluno que lá trabalha. Tava rolando a inauguração de um CID (centro de inclusão digital) em parceria com grandes nomes. Me pediram pra fazer uma nota sobre o evento, que foi publicada aqui. Mas tá aqui também, oras bolas. =P com fotos.

CID na Viração

CID na Viração

A nova parceria entre a Revista Viração, UNICEF, Fundação Bradesco e British Telecom contempla os jovens das comunidades paulistas, oferecendo um centro de informática com atividades que promovem a inclusão digital aliada ao universo do jornalismo.


Anna Penido, representante brasileira da UNICEF, explicou a escolha pela Viração como pioneira no projeto devido ao seu foco na educação, ajudando jovens a terem contato com as atividades do jornalismo através de um viés próprio: o da informação escrita por jovens para jovens. O objetivo é que os próprios participantes do projeto possam disseminar o conhecimento adquirido em parcerias futuras.

O espaço oferecido pela Revista Viração agradará em cheio aos jovens: incentiva o desenvolvimento das atividades, com um ambiente leve, repleto de manifestações artísticas, contrariando as expectativas de uma redação jornalística tradicional, que poderia acanhar os participantes.

E com essa mudança climática absurda em SP (ô novidade), consegui um resfriadinho leve, com um adicional de dor de garganta. E a voz da cicarelli. =P

(Ao som de: He’s hurting me – Maria Mena (na verdade, o Apparently Unaffected inteiro))

fazendo arte

Posted On Setembro 12, 2008

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Literalmente.

Andei rascunhando algumas coisas, havia tempos que nao fazia isso. Tambem tirei umas fotos legais, mas o ubuntu nao reconhece a cybershot sei la por que raios.

Tambem achei um evento bacana em novembro na vila madalena, em que diversos artistas fazem criacoes com varios tipos de midia e as pessoas que estao passando pelo local podem levar a obra de graca (It`s yours, take it!). Flickr esta fazendo a minha alegria. Alem desse grupo, encontrei por acaso o autor dos grafites “odeie o seu odio“, supersimpatico.

Agora so falta achar um lugar que venda o filme da camera antiga do meu pai.

Vivendo no preto-e-branco

Posted On Setembro 8, 2008

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As vezes, eu penso que a `categoria` viver nos extremos nao faz parte do meu diagnostico. Mas, se eu olhar bem de pertinho, eu ate consigo ver. Por exemplo essa semana, em que tive dois dias de insonia – num deles fui dormir 3h45 da manha, pra acordar as 6h40 – e depois literalmente hibernei como um urso. Claro, parte da hibernacao foi a tentativa natural de `compensar` os outros dias, mesmo sabendo que nao funciona. Mas outra parte talvez eu tenha de reconhecer que eu preciso ainda de algum estimulo muito forte para levantar e fazer o dia render em horarios convencionais.

Amanha tenho a primeira consulta depois de quase 2 meses e meio. Muita coisa mudou, mas muita coisa acabou voltando nessas ultimas 3 semanas, como o padrao de sono alterado, dor de cabeca, etc.

Alem do padrao do sono, outros extremos sao as minhas `expectativas` em relacao a minha melhora. Ha momentos em que eu sinto que isto tudo nao passa de uma fase, parte do tratamento, da evolucao natural do quadro – e nisso eu tenho muito apoio do meu namorado. No entanto, em outros eu penso que se depois de tudo isso eu continuo tendo crises e me sentindo mal e achando que minha vida nao passa de algo pequeno e mal vivida, comeco a pensar se realmente ha uma melhora significativa nos proximos meses/anos e duvidar disso tudo. Viro uma pessimista chata e reclamona. Justo eu, que pensava mais como poliana. Extremos, de novo.

O problema em comparar como eu agia antigamente e’ que eu justamente ainda nao consigo enxergar claramente que parte de mim nao faz parte do transtorno. Que parte sobra genuinamente minha. Tambem talvez seja parte do processo de tratamento, depois das sessoes de terapia em grupo, onde me mostraram que e’ possivel ter conforto por si mesmo, se dar colo, descobrir o que se gosta, o que se quer e principalmente o que nao quer.

Querer eu acho que quero demais, preciso e’ conseguir fazer as coisas acontecerem. As vezes essa jornada parece que esta bloqueada por pedras gigantes no caminho, mas depois aparece uma imensidao de terra a ser explorada.

o mesmo velho problema de sempre

Posted On Agosto 24, 2008

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Vira e mexe, a questão do direito ao aborto (ou no mínimo a descriminalização) volta à tona na justiça brasileira. É bem pouco, é verdade, mas tem acontecido mais esse ano.

Estava lendo essa matéria. Concordo que é legal (nos dois sentidos, de bom e de válido judicialmente) ouvir várias fontes de referência antes de tomar uma decisão. Acredito que o estado deveria ser laico, e até posso dar um desconto e ‘considerar’ que ouvir representantes de diversas religiões (mas não todas) do país possa representar os seus seguidores (o que não é bem verdade, visto que as Católicas pelo direito de decidir vão contra o que os homens católicos no poder diriam).

Mas daí ouvir o CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) dizer que “O aborto de feto com anencefalia é uma pena de morte decretada contra um ser humano frágil e indefeso”. Na nota, a CNBB argumenta que todos têm direito à vida é outra história. Véri uél, como diria novela da globo antigamente. Primeiro de tudo que Bispo pra mim só opina quando parir. Ponto. Segundo, se é assim, revoguem a lei que permite o aborto resultante de estupro. Todos têm direito à vida, não é mesmo? Porque uns podem e outro não? Não são seres humanos frágeis e indefesos nos dois casos? (ok, caso de estupro nem ser humano ainda é, só um amontoado de células que podem, veja bem, podem criar um ser humano no prazo devido).

E a mãe que vai sofrer? E a mãe que por políticas mal implantadas pelo governo já tem 4 filhos e não consegue ter mais um? Ela não é um ser humano frágil e indefeso? É, acho que idade conta.

Eles se preocupam tanto com crianças que nem nasceram ainda, mas nem dão conta das milhões que vivem em situações bem piores…

Moody saturday

Posted On Agosto 24, 2008

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De ontem pra hoje foi complicado. Tive umas lembranças ruins devido ao post anterior e junte-se a isso a falta de um dos meus remédios e eu fui dormir deprimida. Acordei do mesmo jeito. I mean, adoro dia frio, gosto de dar aula de sábado para meus alunos particulares e tal. Mas hoje não era bem o dia pra isso.

Não conseguia ver a beleza no dia, não conseguia ouvir música animada, esqueci meu celular na minha cama e só me toquei disso quando estava dentro do ônibus. Nem observar bichos pela janela do ônibus me fez sorrir como sempre, eu só pensava em um carcrash (na verdade, buscrash), algo pra interromper o tempo ali, de alguma forma. Por estar sem celular, fiquei ali, naquele ponto de sempre, esperando pelos alunos por quase 2h. Em partes não vi o tempo passar, em outras, o que eu poderia fazer? Me perdia nas pedrinhas da calçada e tinha que segurar o pouco de sanidade que me restava para não ficar ali, perdida no tempo & espaço, me arrastando até o orelhão e acordando o André pra vir me buscar.

Ainda bem que meus alunos chegaram e me distraíram. A aula correu bem, e a seguinte também. Não voltei pra casa 100% melhor, apesar de ter encontrado uma turma de escoteiros (meninos e meninas, não tem mais separação de escoteiros e bandeirantes) daqui de SA mesmo, uma graça. Com aqueles uniformes fofos, crianças educadas e maravilhadas com as pequenas coisas da vida, como andar de trem velho e ir no Memorial da América Latina. Talvez no primeiro sábado do mês eu passe lá pra ver como é.  Talvez me faça bem. Me sentir útil de novo e tal.

Mas aí vem aquela sensação horrorosa que me faz querer os carcrashes e buscrashes ou ficar rodando sentada numa janela de ônibus sem destino e sem fim. Ou de dormir o dia inteiro. Quando nada me satisfaz, nada me ‘acorda’, nada me chama a atenção. Nem tv, nem pc, nem livro, nem nada. Celular, menos ainda. Esquece que eu não atendo. Odeio me sentir assim. É uma prisão, sufoca, dentro de você mesmo.

Ainda sinto os resquícios disso, e não consigo ir dormir. Esperando que os remédios façam efeito.

A câmera velha que achei ontem usa um tipo de filme especial, que faz as fotos ficarem quadradinhas. Achei uns links bacanas de fotografia, como revelar em casa e tal. Só na semana provavelmente vou sair pra procurar esse filme e procurar coisas interessantes pra testar se a câmera ainda está viva e operante.

It’s been a long road

Posted On Agosto 22, 2008

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Como diria a música do Rod Stewart, “it’s been a long road, getting from there to here”. Poucas pessoas têm alguma idéia do que aconteceu nas últimas 6 semanas. Nem eu mesma posso afirmar que sei de tudo. Ainda estou digerindo, compondo, recompondo, processando. Talvez porque isso seja só parte da minha jornada, que eu acredito acabar só no fim de outubro.

Uma grande parte, que modificou muitas coisas. Que consolidou mudanças em andamento, que fez cair por terra outras tantas coisas que antes pareciam intocáveis, relíquias do tempo e consideradas patrimônio histórico. As verdadeiras relíquias começaram a aparecer sob o pó, brilhando pelos parcos raios de sol que chegavam de mansinho. Elas continuam aparecendo, ainda bem.

Numa dessas escavações arqueológicas, por um acaso, encontrei uma carta do meu pai, já falecido, datada de 1998. Dez anos atrás. Antes de eu completar 11 anos. Antes até de eu ‘virar mocinha’, como dizem. Tanta coisa aconteceu desde aquela carta. Boas e ruins. Cresci, e mudei horrores (mesmo achando que o meu rosto não mudou quase nada). Mas o que mais pesa, mais dói mesmo, é a sensação de ter em mãos um documento histórico, quase como vai, a carta de independência do Brasil em mãos, só sua. E você não ter a mínima idéia de como que o Pedrão realmente era. Com o detalhe que você é filho dele. Reconheço a letra de longe. Consigo relembrar e encaixar as coisas da carta em algum contexto da memória. Lembro do que assistíamos na época, entre outras coisas. Mas é realmente um soco no estômago não lembrar sua voz. Não conseguir imaginar o que ele pensaria sobre diversas coisas, desde política, olímpiadas e até algo trivial como um dia de chuva ou o sabor de um lanche desses novos do mc donald’s.

Consigo assumir que ele teria um ótimo pc, um ipod e todas traquitanas novas de tecnologia e música. Que ao invés de milhares de fitas k7 ele teria milhares ou milhões de mp3s e álbuns completos, bootlegs, dvds e afins dos mais variados gêneros (afinal foi ele quem descobriu Pizzicato Five antes de twiggy twiggy ficar famosa por aqui). Entre outras coisas.

A jornada continua. Ainda estranho estar em casa, ver as pessoas correndo para todos os lados surtando e sendo superficiais e falsas. Se já gostava de bichos antes, agora gosto ainda mais. Talvez até prefira eles e aqueles que também gostam. Estou viciada em cores. Ganhei vários presentes, a maioria com a temática de gatos, e ainda não sei bem aceitá-los. Me sinto querida, e isso ainda é um pouco estranho. Algumas cicatrizes demoram mais pra sumir, acho.